Acadêmico da UCDB ganha prêmio de Jornalismo Ambiental

Texto: Ben Oliveira

Publicado originalmente em 24 de outubro no blog http://www.benoliveira.com

Estudante do 8º semestre de Jornalismo da Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande (MS), Luis Augusto Akasaki foi ganhador do 3º Prêmio de Jornalismo Ambiental da Águas Guariroba na categoria Acadêmico com o texto e foto da reportagem: “Falta de saneamento básico atinge famílias pantaneiras”, publicada no dia 01 de outubro de 2012, no Em Foco Online.

Luis Augusto Akasaki e o coordenador do curso de jornalismo da UCDB, Oswaldo Ribeiro, após a entrega do prêmio.
Luis Augusto Akasaki e o coordenador do curso de jornalismo da UCDB, Oswaldo Ribeiro, após a entrega do prêmio.

Com 26 anos de idade, Luis Augusto Akasaki está trabalhando na ECOA há três anos, uma associação responsável pelo desenvolvimento de projetos para conservação ambiental, principalmente no Pantanal. “Comecei em 2010 como estagiário e hoje sou consultor de comunicação ambiental de um projeto de Turismo de Base Comunitária”, conta Luis Augusto Akasaki.

Confira abaixo a entrevista concedida por Luis Augusto Akasaki, na qual o acadêmico de jornalismo fala sobre a comunidade do Porto da Manga, comunidade ribeirinha localizada as margens do rio Paraguai, distante cerca de 460 quilômetros de Campo Grande (MS); sobre jornalismo, seu livro-reportagem e a importância da preservação do Pantanal e do turismo de base comunitária.

CONFIRA A ENTREVISTA

Ben Oliveira: De onde surgiu a ideia de escrever uma matéria sobre a falta de saneamento básico na comunidade do Porto da Manga?
Luis Augusto Akasaki: A ideia na verdade surgiu por um acaso, assim como acontece muitas vezes no jornalismo. Estávamos em uma viagem técnica para escrever um livro-reportagem que retratará a realidade da comunidade e durante as entrevistas e as conversas informais com os moradores, que acabaram nos relatando sobre os diversos problemas e em especial, a falta de saneamento básico. Foi então que decidi escrever essa matéria, antes mesmo do livro ser publicado, pois este é um problema urgente e necessitava que fosse publicado o quanto antes.

Ben Oliveira: Como o jornalismo pode contribuir para mostrar e mudar a realidade de comunidades como a do Porto da Manga?
Luis Augusto Akasaki: O jornalismo possui um importante cunho social na sua execução, pois é por meio dele que os problemas sociais são relatados e ganham espaço e o apoio da sociedade diante das administrações públicas. E foi este o meu objetivo, já que o Porto da Manga é um local praticamente esquecido, eles necessitam que os profissionais da comunicação faça valer da sua ética e seja a voz dessas pessoas que sozinhas não conseguem melhores condições de vida.

Com o apoio da sociedade, acredito que as autoridades competentes, possam de fato fazer algo por estes ribeirinhos, proporcionando as condições básicas mínimas, como saúde, educação e segurança. Pois quando um fato ganha proporção da mídia e desaprovação social, os problemas tendem a ser resolvidos com maior agilidade.

Ben Oliveira: Esta é a segunda vez que você é vencedor de um Prêmio de Jornalismo. Por que é importante participar?
Luis Augusto Akasaki: Pelo fato de eu ser um acadêmico e ainda não estar em um grande veículo de comunicação, eu vejo os prêmios de jornalismo, não apenas como um incentivo profissional e o reconhecimento de jovens que estudam durante quatro anos para fortalecer o aprendizado e agregar conhecimento, mas também como uma importante ferramenta de elevar o alcance das matérias para a sociedade. Pois ao ganhar um prêmio, a matéria ganha espaço em outros meios de comunicação e consequentemente tendem a chamar a atenção de algumas pessoas, pois o habito de ler notícias em jornais laboratoriais acadêmicos ainda é pequeno.

Ambas as matérias que fiz e foram premiadas, tinham como tema principal a humanização, onde eu procurei relatar sobre as pessoas que buscavam pela melhoria de suas vidas. São pessoas que batalham diariamente e merecem viver com dignidade.

Ben Oliveira: Durante todas as visitas feitas às comunidades pantaneiras, o que mais te chocou?
Luis Augusto Akasaki: São várias as viagens que fiz para as comunidades ribeirinhas do Pantanal, e o que mais me chocou foi encontrar pessoas que vivem em condições mínimas, que lutam todos os dias para alimentar suas famílias, pessoas que preservam o meio ambiente e que possuem um conhecimento tradicional incrível e perceber que eles na maioria das vezes são ignorados pelas administrações publicas e até mesmo esquecidos pela sociedade de um modo geral. Em outros países, como o Canadá, as pessoas admiram e respeitam seus povos tradicionais a ponto de chama-los de primeira nação.

Ben Oliveira: Conte um pouco sobre como foi escrever um livro-reportagem sobre a comunidade do Porto da Manga. Como aconteceu o processo de coleta de informações? 
Luis Augusto Akasaki: Escrever este livro foi um desafio, pois tínhamos um roteiro e um cronograma previamente preparado e um orçamento pequeno. E logo na primeira hora do início da viagem já encontramos diversos obstáculos e consequentemente tivemos que alterar nossos planos. A teoria que havíamos preparado anteriormente não foi o suficiente. Pois escrever sobre o Pantanal é muito complicado, é sempre um desafio onde a vida não segue um roteiro e as histórias vão se construindo sozinha.

Luis Augusto Akasaki e sua parceira do livro-reportagem, Thaiany Regina, em
registro fotográfico feito no Pantanal. Foto: Acervo Pessoal.

Foi um prazer imensurável poder estar naquela comunidade, conhecer a rotina de seus moradores e ouvir seus relatos. Uma viagem marcada por contrastes, mas que apesar das dificuldades e problemas que vimos e vivenciamos foram amenizados com a receptividade e o carinho com que fomos acolhidos na comunidade.

Em um primeiro instante, éramos olhados com muita desconfiança, mas ao nos identificar e falar um pouco sobre nosso projeto, logo nos convidavam para nos sentar e então começávamos uma “prosa”, onde solicitávamos gravar a conversa com um gravador e também fazer imagens fotográficas, terminando sempre com uma autorização para podermos publicar as informações e fotos posteriormente, sendo que uma copia ficava conosco e a outro com o entrevistado.

Ben Oliveira: Quais foram as facilidades e dificuldades encontradas?
Luis Augusto Akasaki: A principal dificuldade que enfrentamos e que é vivenciada pelos moradores diariamente é o acesso à comunidade. Pois não há transporte público entre a comunidade e a cidade de Corumbá, um percurso de aproximadamente 60 quilômetros, que só pode ser feito com veiculo particular ou para os corajosos que se aventuraram a pedir carona na estrada.

Já a facilidade que tivemos foi em nos adaptar, pois os pantaneiros possuem como características principais a receptividade e o carinho em receber pessoas em suas casas.

Ben Oliveira: A realidade das comunidades pantaneiras é pouco abordada na mídia. Como o livro-reportagem pode suprir essa falta de informações?
Luis Augusto Akasaki: Pois então, foi por conta dessa pouca abordagem que decidimos fazer este projeto e agora iniciaremos um trabalho de divulgação da iniciativa junto da mídia neste segundo momento, e logo mais, quando o livro for lançado na primeira quinzena de novembro, temos uma surpresa que deverá amenizar essa falta de informações direcionadas ao Pantanal.

Ben Oliveira: O livro-reportagem estará disponível na internet. Por que vocês escolheram a publicação online?
Luis Augusto Akasaki: A principio consideramos o alcance, interatividade e a velocidade desta plataforma que ganha cada vez mais espaço no mundo e também por uma questão de falta de recursos e financiamentos para impressão.

Ben Oliveira: Qual o procedimento para quem estiver interessado em ler o livro?
Luis Augusto Akasaki: Criamos um diário de bordo digital (www.alopantanal.com), onde compartilhamos com o nosso publico o processo dos preparativos da viagem, alguns textos primários, fotos e vídeos. Em seguida aproveitaremos este endereço eletrônico para disponibilizar o acesso e o download do livro.

Ben Oliveira: Qual é a importância de preservar o Pantanal?
Luis Augusto Akasaki: Pantanal é uma área única, além de ser considerado um patrimônio da humanidade pela UNESCO, ele guarda em suas raízes um conhecimento tradicional e uma cultura belíssima. Sem contar as suas riquezas ecológicas, pois ele possui características ecossistêmicas de outros biomas, como o Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica e Chaco, o que faz deste lugar a maior e mais importante área úmida do planeta.

Ben Oliveira: Ao se pensar no Pantanal preservado, muito se divulga esta necessidade por conta do estímulo ao turismo, e a população local, às vezes, é deixada de lado. Qual é a sua opinião sobre o assunto?
Luis Augusto Akaski: Agora em novembro iniciara o período de defeso, mais conhecido como “piracema”, se levarmos em consideração de que a principal atividade econômica do Pantanal é o turismo de pesca, são quatro meses sem “economia”, é por isso que quando se pensar em turismo, deve se pensar em algo que seja sustentável e também leve renda as famílias ribeirinhas, como o Ecoturismo e o Turismo de Base Comunitária, que é o que a Ecoa esta trabalhando para implementar nessas regiões.

Ben Oliveira: De que forma você acredita que o turismo pode ser utilizado para estimular o desenvolvimento das comunidades pantaneiras?
Luis Augusto Akasaki: Tendo o conhecimento desta problemática e dispostos a trabalhar em prol da conservação do Pantanal é que iniciamos um projeto para reverter esta realidade nas comunidades pantaneiras.

O turismo de Base Comunitária, por exemplo, é uma iniciativa que alia a ideia da geração de renda às comunidades tradicionais pantaneiras e a preservação do Pantanal.

O principal objetivo é diagnosticar as potencialidades turísticas das regiões, capacitar às comunidades locais e prepará-las para trabalhar com o turismo ambiental, tornando este segmento uma alternativa de renda sustentável para as populações e um importante instrumento de conservação da biodiversidade da maior planície alagável do planeta, estabelecendo um modelo que pode ser replicável em outras localidades onde existem comunidades tradicionais.

Link da matéria ganhadora na categoria Acadêmico do 3º Prêmio de Jornalismo Ambiental da Águas Guariroba:http://www3.ucdb.br/emfoco/index.php?menu=noticia&cod_not=15397

Confira mais notícias no blog: http://www.benoliveira.com

2 comentários em “Acadêmico da UCDB ganha prêmio de Jornalismo Ambiental

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  1. Opa!
    Obrigado por divulgar a entrevista aqui no seu blog.
    Ansioso para ler novos textos seus e quem sabe ter a oportunidade de ajudar a divulgar novos trabalhos produzidos por você.
    Abraços

    1. Hahahaha não consigo te acompanhar na periodicidade de posts no blog, mas sempre que da eu tento escrever alguns rabiscos… mas adoro o seu Blog e acompanho tudo! 😀 Sandy fã da Taylor ever! \o/

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