Luis Augusto Akasaki
Thaiany Regina da Silva
Todas as universidades, sejam elas públicas ou particulares, possuem um papel essencial na sociedade, principalmente na formação de profissionais éticos e responsáveis. Porém, não é o que se observa, principalmente quando envolvem questões sobre incentivos e projetos para destinação de resíduos orgânicos e recicláveis no ambiente universitário.
A iniciativa de conscientização das pessoas torna-se o primeiro passo; seguidas por políticas públicas sustentáveis efetivas. A participação e a colaboração de empresas e instituições de ensino são fundamentais para um futuro melhor.
Segundo André Luiz Siqueira, Diretor de Políticas Públicas da ONG ECOA – Ecologia e Ação as empresas e principalmente as universidades deveriam incentivar mais a conscientização sobre a importância da reciclagem, oferecendo conhecimento e projetos sustentáveis.
“Os alunos deveriam ser provocados a participar de projetos assim. Ou, se a iniciativa partir dos próprios alunos a universidade deve ter a sensibilidade de apoiá-los”, acredita o ambientalista.
Algumas empresas e instituições de ensino possuem lixeiras destinadas à reciclagem, como a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), que tem recipientes para os resíduos orgânicos e recicláveis distribuídos em todo o campus. Contudo, dificilmente os materiais são depositados separadamente pela comunidade acadêmica.
No entanto, mesmo que houvesse a conscientização por parte de quem freqüenta o campus, esta não surtiria grandes resultados, pois a coleta do lixo da instituição é generalizada. Ou seja, no processo final tanto o lixo orgânico como o material reciclável são reunidos em único local. A exceção surge para os resíduos químicos produzidos pelos laboratórios, setores das áreas de Bio-Saúde, do Hospital Veterinário e entre outros, que seguem normas rigorosas de controle, sendo os funcionários capacitados e orientados para lidarem com estes materiais.
O Engenheiro de Campus da UCDB, Fernando Pais, confirma que nunca houve um programa fixo de reciclagem na instituição. Apenas um projeto desenvolvido pelos acadêmicos de Engenharia Sanitária e Ambiental em meados do ano de 2009, que separavam a matéria orgânica transformando-a em adubo. “A única coisa que reciclamos são os materiais de escritório; que os funcionários separam”, afirma Fernando Pais.
De acordo com o responsável pelo Setor de Manutenção da UCDB, Domingos João Corrêa, já existiram projetos para a triagem do lixo, porém, devido ao desinteresse dos próprios acadêmicos, o processo de triagem foi suspenso. “A instituição pretende retomar o projeto de coleta seletiva. Basta que haja maior colaboração por parte dos estudantes”, ressalta Domingos João Corrêa.
Pública
Na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), de acordo com a assessoria de comunicação existem projetos que envolvem o reaproveitamento de materiais. No “Lixo Zero”, por exemplo, são coletados papéis e papelão e transformados posteriormente em cadernos para serem distribuídos em escolas da capital. Há também o projeto de “Compostagem” que transforma os restos de gramas aparadas e as folhas das árvores recolhidas em adubo orgânico. Porém, de acordo com os estudantes, as lixeiras seletivas não existem em todo campus e não há uma divulgação dos projetos realizados pela universidade.
“Não tenho o conhecimento e nunca ouvi divulgação de nada”, afirma o acadêmico do curso de jornalismo da UFMS, Eduardo Fregato. “Alguns pontos da universidade possuem lixeiras diferenciadas, só não lembro em quais setores e também nunca presenciei divulgação”, ressaltou André Ribeiro, acadêmico de Educação Física.
Mesmo que haja um processo de triagem por parte da sociedade, surge outro problema: a inexistência de políticas para coletas seletivas desenvolvidas pelos órgãos governamentais. Isto é, todos os resíduos selecionados e separados em Campo Grande são misturados novamente nas caçambas dos caminhões de coleta e seguem para o aterro sanitário, o lixão.
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