A SOLIDÃO

Nos últimos meses tenho observado que as pessoas estão cada vez mais solitárias. Não digo por serem solteiras, estou falando de solidão e não de estado civil. Aliás, este é um grande equívoco. Estar com alguém, não significa não ser um solitário, e não ser solitário não quer dizer que a pessoa possui um relacionamento estável.

Quantas pessoas das quais eu convivo se queixam de estarem sozinhas, sempre procurando um “por quê?”, habituando-se um conflito interno interminável, e que por fim, na maioria das vezes depositam como artifício de suas frustações a condição social e/ou financeira; ou então o fato de não permanecerem a um seleto grupo de beleza estereotipado.

Não quero discorrer pelo funcionalismo que vivemos na contemporaneidade, mas sim nas consequências acarretadas por um sistema ilusório que fomentou o desejo por uma vida superficial, que só faz alimentar o ego, que substituiu o “sentir” pelo “querer”. É como se não houvesse estrelas no céu, apenas o breu da noite sem qualquer significado ou sentido.

Sempre que saio de casa e vou para a faculdade, para o shopping ou então a bares ou boates, gosto de observar as pessoas e seus comportamentos, não que eu queira julgá-las, mas sim compreender determinadas situações e atitudes. Vejo lugares repletos de pessoas bonitas, bem vestidas, rostos marcados por um conjunto de formas simétricas que resultam em uma beleza única, mas sem qualquer expressão, sorrisos forjados e olhos vazios; reflexo de suas almas perdidas na imensidão de uma vida vazia. Indivíduos à procura de alguém, mas alguém que alimente seu ego e não que preencha sua vida.

São pessoas que chegam ali sozinhas e acabam por saírem ainda mais solitárias, mesmo acompanhadas, o sentimento de vazio sempre permanecerá atormentando-as, pelo menos até que possam compreender que os valores humanos ainda são os mesmos e que sem eles não possuímos significado algum, assim como o céu sem estrela. Já que falei de uma maneira metafórica, vou exemplificar um pouco mais neste mesmo sentido. Uma estrela sozinha parece não ter relevância alguma, apenas um pontinho reluzente em meio a um mar de escuridão, mas várias, dezenas, centenas e milhares dessas, podem acreditar, fazem toda a diferença, pois não brilham sozinhas, compartilham umas com as outras seus encantos, qualidades e defeitos. E assim somos nós, seres humanos. Sozinhos, não somos nada, mas juntos formamos um espetáculo a parte, não pelas nossas formas, mas pelo brilho de nossa alma que transcende através de nossos olhos, ao saber que não estamos ali sozinhos.

Estamos carentes de companheirismo, de saber que haverá alguém ali para te dar a mão se preciso for, sem que você precise pedir, que reconheça que você esta precisando dela apenas pelo olhar, por gestos miúdos, aqueles que somente quem realmente se importa possui a capacidade de perceber, não adianta ter centenas de “seguidores” ou “amigos” nas páginas virtuais, se não tiver ninguém que esteja ali para te dar um abraço espontâneo, que sorria do seu sorriso, que enxugue suas lágrimas com o dedo indicador levemente curvado, que sinta o seu cheiro e não o perfume que esta usando, ou até mesmo que esteja ali presente, sem fazer ou dizer nada, mas que faz toda a diferença pra você.

Vivemos cada vez mais correndo contra o tempo, ao invés de aproveitarmos ele da melhor maneira, de nos deixar sentir pelas emoções, mesmo que seja de maneira simples e humilde.

Sei que alguns ao ler esta crônica vão pensar que eu sou uma pessoa sozinha e infeliz, mas pelo contrário, se hoje eu consigo captar esses sinais a ponto e escrever e querer compartilhar é porque tive coragem de enfrentar o vazio que havia dentro de mim e buscar por respostas verdadeiras, me deixei sentir, mesmo que isso me deixasse mais vulnerável ou viesse a trazer algumas lágrimas, eu encarei essa realidade de que eu não sou autossuficiente.

Muitos acham esses sentimentos antiquados, cafonas ou até mesmo retardados, mas são estes sentimentos ridículos que nos fazem humanos, antes arriscar e viver como um louco, do que viver uma sanidade frustrante. Uma vez Arnaldo Jabor disse uma frase muito sábia: “Antes idiota que infeliz!”, alguém aí discorda?

* Luis Augusto Akasaki

5 comentários em “A SOLIDÃO

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  1. OOi querido…..
    Li a sua crônica…. Gosto de ler o que vc escreve!
    Estarei sempre de olho!
    Mande sempre notícias quentinhas do blog pra mim!! o/
    Um beijo meu amor, e muito sucesso!
    PS: NÃO SOME GURÍ!!! hahahhaaaa….
    =*

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