Após escrever o post anterior (Capitalismo Globalizado – Uma discussão sobre a atual situação do “fazer jornalístico”), mergulhei em uma reflexão comportamental e qualitativa sobre o indivíduo e a sociedade.
Se partirmos dos fundamentos históricos e conceituais da atividade jornalística, observaremos que essa prática era utilizada pela igreja e partidos políticos para disseminar seus ideais e interesses, revelando a relação dos indivíduos com a sociedade da época.
Já pulando algumas décadas, a atividade ganha notoriedade e relevância social em um novo modelo de sociedade – a democracia – Que por sua vez surgiu como forma de proporcionar um espaço plural e com abrangência de massa para o debate das questões de interesse amplo da maioria e produzir informações plurais voltas para o interesse público. Mas não é isso que observamos dentro do modelo capitalista contemporâneo.
O que mudou nesses dois modelos de sociedade foi o discurso, porém todas as informações publicadas em impressos, ou veiculadas em telejornais defendem um interesse, assim como antigamente. Este novo modelo acaba não sendo fundamentado no paradigma da informação e da responsabilidade social, mas sim na lucratividade e no poder.
O final do século XIX e o início do século XX vêem surgir, então, a hegemonia de um modelo de mediação informativa entre os indivíduos e a realidade, em detrimento do papel ativamente político desempenhado até o início do século XIX. Muda-se, então, o status da atividade: de um instrumento de ação política, as modernas organizações jornalísticas se apresentam cada vez mais como prestadora de serviço voltada a municiar os indivíduos de informações através das quais eles pudessem agir conforme suas próprias necessidades. GUERRA, Joselino – (2003, p 42)
Cabe-nos uma leitura mais profunda sobre a relação entre a sociedade e indivíduo, que, aliás, é muito complexa. Por isso, devemos entender mais sobre a problematização entre a relação do indivíduo com os demais, com a realidade objetiva e o trabalho, para que possamos argumentar contra o mesmo modelo que rege a sociedade desde os tempos de monarquia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GUERRA, Joselino Luiz. O percurso interpretativo na produção da notícia. 183 p. Tese de doutorado (Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas). Faculdade de Comunicação, Universidade Federal da Bahia, Bahia, 2003
MARX, Karl. O Capital. Livro 4 – Teorias da Mais Valia. Volume 1. São Paulo: Bertrand Brasil, 1987
Ótimo post, Guto!
Fiquei curioso para aprender mais sobre o assunto.
Depois vou procurar o livro e a tese.
Abraço.