Palavras ensaiadas

Este fim de semana senti uma súbita vontade de escrever, mas não sabia sobre o que refletir, pois não tinha nada em mente. Foi então que, durante uma conversa com um colega, pedi para que ele me dissesse a primeira coisa que viesse em sua cabeça, alguns segundos se passaram e um silencio – inquietamente demasiado e longo – tomou conta daquele diálogo, após alguns instantes surgiram alguns temas, sem muito sentido, como “ruivo e comida”. Ainda pensativo, ele confessou que a primeira coisa que veio em sua cabeça após ler a minha pergunta foi “pensar em dizer alguma coisa“, esta frase me deixou intrigado e um tanto quanto confuso e a partir daí tomou conta da minha mente.

Depois de algum tempo de reflexão, me lembrei de uma frase do psicanalista Sigmund Freud, que li certa vez em algum lugar e que por ventura ficou gravada na minha memória.

– “O pensamento é o ensaio da ação”.

Desde então comecei a reparar nas minhas ações e como os pensamentos surgiam antes que elas fossem colocadas em prática, uma absorção tão ligeira que passa despercebida tranquilamente durante nossa rotina diária.

Ao chegar em casa, no fim do dia, um turbilhão de pensamentos começou a passar pela minha mente e já não estava conseguindo concentrar em minhas ações. Talvez fosse resultado do cansaço mental após um dia intenso de trabalho ou pelo estresse causado no trânsito, conseqüência da falta de educação e de respeito de grande parte das pessoas que estão guiam seus carros ferozmente.

Foi neste momento – em que já não assimilava mais meus pensamentos – que meus instintos começaram a determinar e guiar minhas ações antes mesmo que eu conseguisse processar as informações e formular um pensamento. Percebi então que assim como no teatro, (não poderia utilizar uma analogia melhor, se não esta) nem sempre temos tempo ou oportunidade para ensaiar as palavras, algumas vezes a vida nos coloca para fazer um “teatro de improviso”, onde liberamos nossos instintos e nos deixamos levar pelas circunstancias, o que pode ser muito bom ou muito ruim, caso não saibamos lhe dar com tais impulsos.

É como “soltar a fera” que existe em nós e que permite realizar ações naturais e espontâneas, livre de qualquer racionalidade, um momento para agir instintivamente assim como fazem os animais, afinal, somos como eles ou pelo menos seríamos, se não fosse a nossa capacidade de raciocinar e conseqüentemente de pensar.

Mas nossos instintos foram oprimidos por tanto tempo que já não sabemos mais lidar com a naturalidade, desaprendemos o significado de proteção, carinho, compreensão, amor e principalmente de cuidado com o nosso próximo e também com o ambiente em que vivemos. Limitamo-nos a pensar que “pensamos” e acabamos adestrados por outros seres pensantes, que se dizem superiores e exercem uma força maior sobre nós, impondo regras e deveres.

Aprendemos a pensar, ou melhor, a complicar a vida e agora não sabemos mais viver sem antes ensaiar as palavras, perdemos a simplicidade e de lado deixamos a nossa espontaneidade!

 

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