Desde o princípio da humanidade, a comunicação tem sido um instrumento de integração, instrução, troca mútua e desenvolvimento social. Mas é partir da primeira metade dos anos 90 que o contexto comunicacional passa por incríveis e rápidas transformações, marcando o início de uma nova era.
“Embora a forma de organização social em redes tenha existido em outros tempos e espaços, é na pós-modernidade que surge o novo paradigma da tecnologia da informação”. (Manuel Castells)
As novas plataformas midiáticas surgem quebrando barreiras geográficas, influenciando hábitos e comportamentos na sociedade. Porém, apesar dos aspectos positivos, como o acesso à informação e ao conhecimento – que são condições essenciais para a tomada de decisão em sociedade – algumas problemáticas sociais, anteriores a estes avanços tecnológicos continuam existindo.
De acordo com o professor e pesquisador do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rogerio Christofoletti, estas transformações aconteceram sem que a sociedade estivesse totalmente preparada, mas o fato é que, estes acontecimentos movimentam, conduzem e conformam camadas cada vez maiores na sociedade.
“Há extensos contingentes populacionais que sequer têm acesso a serviços mais básicos, como água, esgoto, saúde, educação e energia elétrica, por isso quando se trata de internet e dos muitos resultados que ela traz no seu bojo, não podemos considerar como uma realidade para todos”, ressaltou o professor.
Para o sociólogo André Luiz Martins, a grande questão da comunicação na atualidade, esta principalmente no discurso político da democratização da informação, onde as pessoas acreditam ser um emissor, mas ainda permanecem exercendo a função de mensageiro dos grandes meios de comunicação – que são os que detêm a maior parte do poder.
“Houve realmente uma mudança muito grande na forma de se comunicar, a inclusão da internet na vida das pessoas surgiu com o proposito de permitir uma comunicação mais rápida e de qualidade técnica maior, além é claro, de oferecer a possibilidade de filtrar os conteúdos de acordo com o interesse de cada indivíduo; o problema é que ainda assim o entretenimento oferecido pelos grandes meios de comunicação ainda predominam dentro da realidade brasileira,” afirmou André.
Toda mudança social – e em especial a internet – requer tempo de adaptação e também pesquisas; foi com este intuito que em 2006, formou-se o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Tecnologia Educacional e Educação a Distância (GETED), na Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, sob a coordenação da professora Maria Cristina Paniago.
Para a professora, as ferramentas disponíveis nesta nova era da informação, proporcionam um trabalho compartilhado e também colaborativo na construção do conhecimento, elevando o nível de interesse das pessoas, que se sentem participantes da mensagem e acabam valorizando mais o resultado.
“É importante ressaltar que o trabalho intelectual e a utilização das ferramentas proporcionadas por estes novos meios de comunicação devem ser mútuos – uma soma entre o conhecimento do homem e a capacidade de interação e participação proporcionadas pela máquina – uma relação saudável que faz com que todos se sintam pertencente à produção de conteúdos,” lembrou a coordenadora.
Hoje as pessoais possuem a possibilidade de adquirir voz, seja de um para um, de um para todos ou de todos para todos. No entanto, ainda é preciso haver mais reflexão sobre os aspectos comunicacionais deste novo século, e assim utilizá-lo da melhor maneira – mesmo que com apenas 140 caracteres e algumas limitações da virtualidade, a sociedade voltou a sentir a esperança de sair do anonimato do receptor e tornar-se também um emissor.
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